Fotografia aérea da cidade de Moçâmedes, hoje Namibe - Década de '50.

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Fernando Padrão é casado com uma Brunido, portanto meu parente.

O livro que foi pela primeira vez apresentado ao público em Fevereiro de 1998, vai já na segunda edição. Teve como base a sua licenciatura apresentada ao Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas.

No seu prefácio, o eng. Cardoso e Cunha descreve-o
"como o exemplo vivo da esperança, da vontade, da persistência, da determinação. Quando para muitos era um título de glória ter criado uma empresa, uma fazenda, uma fábrica, para o Fernando Padrão era natural criar cidades. Milhares de angolanos guardam dele a recordação do funcionário dedicado, do autarca empenhado, do cidadão entusiasta. Ele é um dos símbolos positivos do fim do período colonial. (. . .) Por isso o trabalho é útil e necessário, por ser raro. Além de útil e nesessário, ele é um hino de amor a Angola, a manifestação da maior dedicação que um homem pode dedicar a uma causa: a Sua Terra!"

Pedi e recebi de Fernando Padrão autorização para que reproduza do seu livro excertos que se referem à colonização de Moçâmedes.

É com prazer que apresento um trabalho que foi preparado por alguém capacitado para nos transmitir os factos históricos acerca da região do Sul de Angola. No caso específico de Moçâmedes, eles ajudar-nos-ão a compreender como se desenrolou a sua colonização.

Respeitarei os números referentes às chamadas e, assim, eles não terão uma sequência porquanto, como digo acima, apresentarei somente excertos do livro.

Antes de começar, porém, a reproduzir os excertos e porque, por vezes, os comentários do autor constituem críticas a uma ou outra governação portuguesa, transcrevo, em primeiro lugar, parte da sua "Nota Prévia", a saber:

Por sinal, a carta dirigida a Salazar, datada de 31 de Outubro de 1937, exprimindo o seu raciocínio sobre o que acreditava serem os desígnios de Angola, custou a Henrique Paiva Couceiro e à sua mulher, ambos septuagenários, o exílio nas Canárias!...

Nesta mesma linha, insiro o que autor entendeu publicar após as tradicionais introduções, através da eterna pena, tão crítica!, de Eça de Queiroz, e que espelha bem o que, com raras excepções, foi sempre a política portuguesa em relação às suas antigas colónias:

", 1890.
As relações de Portugal com as suas colónias, são originais.
Ellas não nos dão rendimento algum:
nós não lhes damos um único melhoramento:
é uma sublime lucta - de abstenção!...
Quando muito, às vezes, a Metrópole remete às colónias, um governador:
Agradecidas, as colónias mandam à mãe pátria - uma banana.
E perante este grande movimento de interesse e de trocas, Lisboa exclama:
Que riqueza das nossas colónias!
Positivamente somos um povo de navegadores!"


Eça de Queiroz - "Uma campanha alegre" - 1º volume - Lisboa - Pág. 162.

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