"Backgrounds Etc."

"Primeiras Letras em Angola"
Biografias de Mestres

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José Joaquim Saiago era natural da freguesia de Muxagata, concelho de Vila Nova de Foscoa, distrito da Guarda, onde nasceu cerca de 1875. Possuía o curso da Escola Normal, mas ignoramos onde e quando o tirou o respectivo diploma.

No Cadastro de Professores de Angola, o nome da terra da sua naturalidade era indicado sob a forma de Munhagata, que é erro evidente. Pode explicar-se a difereneça se nos lembrarmos que havia quem escrevesse aquele nome com o dígrafo CH, e este fàcilmente se confundiria com o que foi empregado.

Este professor foi nomeado para a escola de instrução primária, do sexo masculino, da cidade de Moçâmedes, em 22 de Setembro de 1900, tendo tomado posse e entrado em exercício no dia 25 de Janeiro de 1901. Este estabelecimento de ensino era sustentado pelo Município, não era o que vulgarmente se chamava escola régia, a cargo do Estado.

Temos notícia de que estava ainda ali em Fevereiro de 1906. Nessa altura, efectuaram-se provas de exame, sendo José Joaquim Saiago o professor proponente. Os restantes membros do júri foram o Dr. Albano Augusto Canais Vieira e o seu colega da escola régia, Francisco Rodrigues Pinto da Rocha Júnior. Assistiu aos trabalhos o governador do distrito, José Rafael da Cunha.

No dia 3 de Novembro de 1908, era nomeado novo professor, Eduardo Augusto Morais, para a escola do sexo masculino da cidade de Moçâmedes – não se indicando se para a escola régia se para a municipal. Sabemos que não chegou a entrar em exercício, pois assim o declara a portaria que o exonerou, em 13 de Maio de 1909. Se tivermos em conta que a escola régia estava provida, que deixa de se falar do professor José Joaquim Saiago, e que em 7 de Julho de 1909 foi aberto concurso para o provimento da escola municipal, chegaremos à conclusão de que deveria ter deixado Moçâmedes por essa altura.

Temos conhecimento de que esteve colocado numa das escolas de Luanda; contudo, não nos foi possível reunir informações concretas e pormenorizadas da sua actividade docente na capital de Angola.

No dia 25 de Abril de 1914, José Joaquim Saiago era nomeado interinamente para exercer funções de professor na escola boer ou bur, na Humpata, acumulando este cargo com o de professor da escola do Estado, destinada ao ensino dos filhos dos colonos de origem portuguesa. O titular daquela cadeira, José Joaquim Teixeira, tinha seguido para a Metrópole em gozo de licença graciosa.

Aproveitamos a oportunidade para dizer que não nos foi possível localizar a data da nomeação deste docente para a escola oficial do concelho da Humpata, onde o encontrámos, como acabamos de verificar; também não sabemos em que data deixou de ali prestar serviço, nem as circunstâncias de que tal ocorrência se revestiu.


Notas da autora deste site, uma das netas de José Joaquim Saiago:

Quando o meu Avô faleceu, era o seu 3º filho, Inácio - o meu Pai -, que nasceu na Humpata, no dia 10 de Novembro de 1914, criança de colo. Não sei ao certo a data do seu falecimento porquanto ainda não tive acesso a documentação, que pretendo obter no futuro.

Quando comecei a interessar-me pela genealogia da minha família, afirmei sempre que, uma vez que o meu Avô tinha sido professor em Moçâmedes, a sua ida para a Humpata constituía, a meu ver, uma desclassificação. Dei a conhecer a minha opinião a alguns familiares do ramo Saiago, que nada souberam adiantar.

O acesso à obra “Primeiras Letras em Angola” e o que ali se informa sobre o meu Avô, esclareceu as minhas dúvidas e os elos ligaram-se: como mencionei em “A Casa de Mossâmedes” (v. Crónicas de Angola), o meu Avô paterno, republicano convicto, foi preso pela atitude que teve quando do assassinato do Rei de Portugal e do seu filho. Se nos lembrarmos que esse acontecimento teve lugar no início de 1908 e que, no final desse mesmo ano, era nomeado novo professor que o substituiu; que o restante trajecto da sua vida, como mestre de primeiras letras, foi irregular, torna-se claro que pagou bem caro pelos seus ideais republicanos. Mesmo após a implantação da república em Portugal, os hábitos e as ideias dos que, no Sul de Angola, decidiam sobre estes e outros assuntos, não evoluíram com rapidez e é assim que se assiste que, em pleno ano de 1914 – quatro anos após o final da monarquia! – ele tenha sido enviado para a Humpata interinamente para substituir um colega seu.

Confesso que, como sua neta, republicana convicta, foi com imensa emoção que li a sua biografia e “completei” a sua história:

a) O seu diploma
Obteve-o com a nota final de 16 (dezasseis) valores, na Escola Normal Primária de Lisboa e é datado de 15 de Julho de 1899. Desde que o meu Pai mo entregou, pouco tempo depois de termos saído de Moçâmedes, em 1957, que o mesmo acompanha os meus diplomas. E lá está ele, para quem o quiser ver, na secção “Álbum de Documentos Antigos” (http://www.saiago.com/documentos.html);

b) Como deixou de prestar serviço
Na crónica “A Casa de Mossâmedes” (http://www.saiago.com/casa_mossamedes.html) relato que o meu Avô, num dia em que chovia muito logo pela manhã, foi até à porta da escola, preocupado com os alunos que estavam para chegar, e foi ali mortalmente atingido por um raio. Aconteceu na Humpata.

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