"Backgrounds Etc."

"Primeiras Letras em Angola"
Biografias de Mestres

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João Puna era filho do célebre Manuel José Puna, que foi agraciado com a dignidade nobiliárquica de Barão de Cabinda, conhecida personagem da História de Angola e hoje patrono de uma das suas Escolas Preparatórias. Poir o primeiro professor de que tivemos notícia, relativamente à escola primária, do sexos masculino, de Cabinda.

A nomeação deste agente de ensino tem a data de 20 de Julho de 1885, ano basilar da história daquele distrito. Nas notas biográficas dedicadas a Manuel José Puna, inseridas no livro Patronos das Escolas de Angola, dissemos que outro irmão deste professor, Vicente Puna, tinha exercido também funções docentes, sendo até mais esclarecido do que João Puna, adoptando hábitos mais civilizados, procurando aperfeiçoar-se e instruir-se cada vez mais.

O professor João Puna veio a ser coercitivamente exonerado no dia 4 de Junho de 1886. A portaria que o desligou do serviço dá-nos um apanhado das acusações que lhe eram feitas: - não procurava recrutar discípulos, abandonava a escola, dava maus exemplos de decoro e dignidade, nenhum resultado apresentara dos seus trabalhos apesar das diligências empregadas para lhe facilitar a missão. Demonstrava-se assim que lhe faltavam condições para exercer o cargo de professor, sobretudo porque tinha qualidades más, impossíveis de coibir.

Não fazemos a mínima ideia de como seu pai, o Barão de Cabinda, recebeu esta notícia. Sabemos que era muito dedicado a Portugal e às nossas autoridades. Nessa altura era ainda vivo, mas já de bastante idade, com cerca de setenta e seis.

Os dois irmãos, João Puna e Vicente Puna, estudaram na Metrópole, num dos melhores colégios particulares de Lisboa, a “Escola Académica”, que era dirigida por António Florêncio dos Santos. Ficava localizada na Calçada do Duque, bem perto do Rossio. Existe ainda hoje este estabelecimento de ensino, situado no Largo do Conde-Barão, ou suas proximidades. Em 1 de Dezembro de 1873, estavam hospedados no seminário de Coimbra, de onde escreveram ao director, pedindo que os retirasse imediatamente dali, colocando-os a aprender no Arsenal. E ameaçavam de que, se o seu pedido não fosse satisfeito, fugiriam do seminário...

Resta-nos acrescentar que existe um volumoso processo no Arquivo Histórico Ultramarino, referente à educação dos dois angolanos. O pedido para serem tomados sob a protecção das autoridades e do Estado foi feito em 27 de Janeiro de 1868.

João Puna e Vicente Puna foram condiscípulos de Trindade Coelho, que se lhes refere com simpatia.

Assistiram à assinatura do pedido de protecção dirigido às autoridades portuguesas, em 22 de Janeiro de 1885, testemunhando a aposição do sinal de “cruz” por aqueles que não sabiam escrever. João Puna assinou também, como testemunha presente, o Tratado de Simulambuco, no dia 1 de Fevereiro seguinte.

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