"Backgrounds Etc."

"Primeiras Letras em Angola"
Biografias de Mestres

Página 1 de 1

José Inácio de Pinho é nome do panorama cultural do seu tempo, eme Angola. Acompanha as primeiras referências à escola de instrução primária do concelho do Alto Dande, para onde foi nomeado em 14 de Fevereiro de 1855. Para sermos mais rigorosos, temos de dizer que a designação da época era apenas Dande. Verdadeiramente, não podemos dizer se devemos considerar que a sede do concelho do Dande passasse para o Alto Dande, como julgamos ser o mais lógico, pois ficou dependente, em certa altura, das autoridades do Icolo e Bengo, ou se deveríamos antes englobá-la no da Barra do Dande.

Desconhecemos em que data o professor João Inácio de Pinho saiu desta escola e também nada sabemos sobre a sua actuação docente, nesta localidade.

Marginalmente, queremos informar que, em 1857, encontramos o professor Francisco de Gouveia Pinto a ensinar na escola do concelho do Alto Dande; e em 1860, aparece-nos o mestre de primeiras letras, Francisco Guilherme Baptista, a ensinar na Barra do Dande. Até isto contribui para dificultar o esclarecimento do problema!... Tudo ficaria aclarado se o nome de João Inácio de Pinho aparecesse nalgumas delas!...

Quando, em 22 de Fevereiro de 1886, o bispo da diocese de Angola e Congo, D. António Tomás da Silva Leitão e Castro, criou em Luanda uma aula de línguas africanas, João Inácio de Pinho foi nomeado para professor de Quimbundo. O Curso de Língua Quimbundo, mais tarde chamado Curso de Intérpretes Eduardo Costa, deveria ser frequentado pelos missionários e catequista que houvessem de trabalhar no interior, podendo admitir outros alunos, pois tratava-se de uma aula pública. O mestre João Inácio de Pinho era ainda encarregado de escrever as lendas, as tradições religiosas, as narrativas de costumes, as canções de língua indígena e outros elementos da cultura oral, a fim de serem publicados.

Mário António chamava-lhe quimbundista de merecimento. Houve dura polémica, que teve por motivo a língua nativa, entre João Inácio de Pinho e o seu contemporâneo Joaquim Dias Cordeiro da Mata, que também foi quimbundista e folclorista de mérito. Aquele chegou a propor um argumento de viva voz, para defenderem os respectivos pontos de vista. Ora Cordeiro da Mata é conhecido pela sua competência na matéria, e se Inácio de Pinho se atreveu a fazer tal proposta somos forçados a aceitar que deveria ser e ele mesmo se julgava competente e sabedor.

Não podemos esquecer que o autor citado, Mário António, lhe reconhece o merecimento, já antes testemunhado pelo bispo e demais autoridades do seu tempo, que o escolheram para ministrar o ensino do idioma local. A língua indígena tinha naquele tempo grande interesse, importância enorme.

[ Encontro com a Escrita ] [ Página Principal ] [ Biografia de Mestres - Principal ] [ Primeiras Letras em Angola - Principal ]