"Backgrounds Etc."

"Primeiras Letras em Angola"
Biografias de Mestres

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Francisco Pereira Dutra nasceu na Bahia, antiga capital do Brasil, em Julho de 1832, e faleceu em Luanda, no dia 22 de Outubro de 1867.

Foi engenheiro civil da Armada, no Império Brasileiro, Não se sabe o motivo por que se transferiu para Angola. Talvez lhe fosse confiado algum cargo importante no consulado daquele país, onde atendia as pessoas que com ele precisassem de falar. Fixou-se em Luanda no decorrer do ano de 1860.

Publicou um volume de versos, em 1852, no Rio de Janeiro. Não conhecemos este livro, que consideramos obra da juventude, atendendo à sua idade, pois contava apenas vinte anos. Sabe-se que nas suas composições tratava não só temas profanos mas também assuntos sagrados.

Conhecem-se trabalhos de cartografia, duas plantas da cidade de Luanda, de que Francisco Pereira Dutra foi o autor. Realizou neste território alguns estudos sobre mineralogia, registando a existência de sulfatos, nitratos, carvão de pedra, petróleo, ferro, cobre, ouro e prata.

Exerceu o cargo de director das Obras Públicas, em Luanda, desde 4 de Junho de 1861 a 17 de Setembro de 1862. Foi nomeado e exonerado pelo governador-geral Calheiros e Meneses. Este governante reconheceu que desempenhou aquelas funções com muito zelo e provado acerto, mostrando muita aptidão. Foi desligado do cargo referido por assim o ter requerido.

Tentou estabelecer aqui, logo no ano da sua chegada, uma escola secundária, a que pretendeu dar o nome de Liceu de Angola. O aviso relativo à criação deste instituto foi publicado em 22 de Dezembro de 1860; era então que indicava o consulado brasileiro para atender os interessados, sem fazer limitação de horas. Isso leva a supor que tivesse ali a sede da sua actividade profissional, o seu emprego.

Francisco Pereira Dutra tencionava ensinar aos alunos do Liceu de Angola as seguintes matérias: - Latim, Francês, Inglês, Matemática, Cosmografia, Geografia, História, Filosofia, Retórica e Religião. Ao lado deste a completá-lo haveria o Curso de Estética, que abrangia Desenho Geométrico, Desenho de Paisagens, Esgrima, Dança e Música Vocal, incluindo o canto gregoriano. Este pormenor leva-nos a pensar que Pereira Dutra talvez tivesse formação intelectual recebida em colégios eclesiásticos. Haveria ainda o Curso Comercial, se aparecesse alguém que quisesse ensinar Escrituração Mercantil, por partidas simples e dobradas. Estava previsto que a abertura do estabelecimento se fizesse em Janeiro seguinte.

Não se sabe ao certo se a iniciativa obteve resultados práticos, mas tudo leva a crer que nunca chegasse a concretizar-se. Contudo, não podemos deixar de incluir o nome de Francisco Pereira Dutra entre os professores da Província, na época histórica que lhe corresponde.

Tencionava agregar a si pelo menos mais dois agentes do ensino secundário, Francisco António Pinheiro Baião, capitão do Exército e publicista, e António José Pereira de Lacerda. Em Março de 1861, era dada como certa a abertura do estabelecimento, no entanto nada se sabe da sua actividade.

Francisco Pereira Dutra foi colaborador de, pelo menos, um dos jornais que então se publicavam em Luanda, A Civilização da África Portuguesa. A actividade jornalística de Francisco Pereira Dutra trouxe-lhe alguns dissabores, que podemos calcular bem a mais de um século de distância. Os seus inimigos conseguiram metê-lo na cadeia pública desta cidade, em 24 de Agosto de 1867. Só dali saiu para transitar, sempre debaixo de prisão, ao hospital da Santa Casa da Misericórdia, onde veio a falecer no dia já mencionado. Os seus restos mortais jazem no cemitério do Alto das Cruzes.

Se tinha inimigos temíveis, tinha também amigos dedicados. Por ocasião do seu funeral, manifestou-se a discordância que os separava, com incidentes registados à beira da sua sepultura, e em que até tomaram parte dois conspícuos membros do cabido da Sé. Tem certo interesse referir que, pouco depois da morte de Pereira Dutra, foram presos os seus companheiros de redacção.

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