"Backgrounds Etc."

"Primeiras Letras em Angola"
Biografias de Mestres

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Alfredo de Sousa Neto foi nomeada professor de instrução primária, em 2 de Dezembro de 1873, não se indicando a localidade em que deveria exercer as respectivas funções. Contudo, o que a seguir se diz, leva-nos a concluir que era professor em Luanda.

A primeira notícia exacta que recolhemos, referente ao professor Alfredo de Sousa Neto, diz-nos que, tendo sido deferido um requerimento por ele feito, em que pedia que lhe fosse atribuído um dos quatro vencimentos anuais de trezentos mil réis, incluídos no orçamento da Província, pois ganhava apenas duzentos e cinquenta mil réis, correspondente ao de professor provisório da Escola Principal, no dia 14 de Julho de 1874 foram atribuídos os citados vencimentos de trezentos mil réis aos professores de Luanda (que era ele), Ambriz, Benguela e Moçâmedes.

Podemos informar que o requerimento de Alfredo de Sousa Neto foi datado de 23 de Abril de 1874. Esclarecia que, no caso de lhe ser concedido aumento de vencimento, como requeria, ficaria com ordenado igual ao do professor de Moçâmedes. Era ele, nessa altura, segundo se dizia, o único professor público em Luanda. Podemos ainda esclarecer que Alfredo de Sousa Neto solicitara que o aumento elevasse o seu vencimento para trezentos e sessenta mil réis.

O governador-geral de Angola lembrava, no ofício que acompanhou o requerimento para Lisboa, ter solicitado já que se não preenchesse o lugar de professor da Escola Principal, pois era inútil por falta de alunos habilitados para frequentarem as aulas, em que teriam ensino de nível superior ao primário elementar. Dos dois professores que poderiam pagar-se, só um, o requerente, deveria ser nomeado, pois estava já a trabalhar com bastante aproveitamento dos seus alunos. E o chefe da Província declarava sem hesitação que o terceiro professor não fazia falta. O Governo de Lisboa, porém, não concordou com a sugestão.

Aparece-nos o nome de Alfredo de Sousa Neto como suplente para o júri de exames do ensino primário, nomeado a 15 de Julho de 1875. No ano seguinte, foi igualmente nomeado vogal suplente. Substituiu o professor Joaquim Eugénio de Sales Ferreira, como membro do júri de exames de aptidão par o magistério primário, ordenados pelo governador-geral Caetano Alexandre de Almeida e Albuquerque.

No ano lectivo de 1875 Sousa Neto leccionava na Escola Principal de Luanda, estando por certo encarregado da 3ª Cadeira, visto que as outras tinham professor nomeado; contudo, poderia acontecer que não fosse como indicamos.

Em 28 de Março de 1877, Alfredo de Sousa Neto requereu a sua confirmação como professor de instrução primária, em petição dirigida ao rei D. Luís I. Aí se esclarecesse que, tendo sido nomeado em 2 de Dezembro de 1873, prestara provas públicas de aptidão ao magistério em Setembro de 1876, apresentando ao mesmo tempo um documento passado pelo Liceu de Lisboa.

A informação prestada pelo secretário do Conselho Inspector de Instrução Pública, que era então Joaquim Eugénio de Sales Ferreira, diz o seguinte:

- Tem sempre dado provas inequívocas de ser muito zeloso e inteligente no desempenho da sua missão. Este professor montou a aula primária oficial, que, depois do decreto de 39 de Novembro de 1869, não havia ainda sido inaugurada e regeu-a sempre com acerto, vendo-se pelos exames finais dos anos lectivos que os seus esforços não têm sido baldados.

Em 18 de Dezembro de 1877, Alfredo de Sousa Neto requereu que lhe fosse passado o diploma de professor, visto que tinha sido confirmado no cargo, como requerera, em 13 de Agosto anterior.

No entanto, em 10 de Julho desse ano de 1877, era nomeado novo professor para o lugar anexo à Escola Principal, a fim de ocupar a vaga resultante da sua exoneração, em data que ignoramos, pois tinha sido nomeado para o cargo de escrivão da Alfândega, em Moçâmedes. Mas posteriormente, em 13 de Agosto, foi confirmado, como já dissemos, no lugar de professor de instrução primária, da cidade de Luanda. Deve haver qualquer confusão em tudo isto, particularmente no que diz respeito à exoneração.

Em 16 de Julho de 1878, o professor Alfredo de Sousa Neto, que regressara de Moçâmedes, foi reintegrado no lugar de professor da Escola Principal, em Luanda. Podemos aceitar a hipótese de ter estado naquela localidade em comissão de serviço, pois de outro modo não poderia conservar o lugar.

Voltamos a encontrar este agente docente fazendo parte do júri de exames em 1881; os outros dois vogais eram Miranda Henriques e Sales Ferreira.

No dia 1 de Maio de 1886, foram distribuídos doze exemplares da Cartilha Maternal, de João de Barros, aos alunos mais pobres da escola primária da freguesia de Nossa Senhora dos Remédios, considerados merecedores desta oferta. O professor do estabelecimento continuara a ser Alfredo de Sousa Neto.

Este agente de ensino foi julgado incapaz de continuar a prestar serviço, em 8 de Maio de 1891, em sessão da Junta de Saúde. O governador-geral aprovou a resolução e intimou o professor a apresentar o pedido de aposentação. Mais tarde, o Ministério da Marinha e Ultramar informava que o cálculo efectuado para a concessão da aposentação estava errado, tendo Sousa Neto sido muito favorecido.

Em 22 de Dezembro de 1891, o chefe do concelho do Ambriz comunicava ter passado guia de embarque para Lisboa, a bordo do vapor “Ambaca”, ao professor Alfredo Neto, que tendia para a loucura e não podia deslocar-se a Luanda, para ser observado pela Junta de Saúde. Confirmava estar já desligado do serviço. Era irmão do professor do Ambriz, Leopoldo de Sousa Neto, que tinha procuração para receber os seus vencimentos. O atestado médico, comprovativo da doença, foi passado pelo facultativo daquela vila, Manuel Agostinho Colaço.

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