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Feliz Dipanda!Feliz Dipanda!Feliz Dipanda!Feliz Dipanda!Feliz Dipanda!Feliz Dipanda!Feliz Dipanda!Feliz Dipanda!Feliz Dipanda!Feliz Dipanda!Feliz Dipanda!Feliz Dipanda!


Feliz Dipanda!

Por Ocasião do 30º Aniversário
da Declaração da Independência de Angola


Afastei-me de Angola com dor-dor, dor-revolta, dor-incredulidade, dor-muita saudade...

Foram os tempos de paixões políticas exacerbadas, em que motivos sem motivo colocavam gentes, até então cordatas, em campos opostos, com consequências para além do imaginado.

Havia a expectativa de um regresso breve...
O tempo foi passando, a esperança do regresso se desvanecendo...

A vida é um pouco – ou muito – como um mar imenso que, ao alcançar terra, se contorce, até que, açoitando violentamente a areia da orla, avança sobre ela, borbulhando… cada vez menos, até que, quase água límpida (mas salgada como as lágrimas), quase absorvida por essa areia, num movimento como de defesa – ou de revolta – rapidamente recua, para formar nova e grande onda, que também se abaterá sobre a areia.
São lutas, vitórias, perdas, esperanças, desesperanças, começos, tropeços, recomeços...

Deveres nos chamam, deveres nos pegam desprevenidos, despreparados... O tempo corre...
Não que Angola tenha sido esquecida, porém o dia-a-dia não se apieda.

Mata-se a saudade de maneiras variadas: prepara-se a muamba (substitui-se a matira pela beringela)... um calulu (usa-se bacalhau em vez do saboroso peixe seco... arranjar-se rama de batata doce é uma luta!)... assam-se maçarocas, batata doce... folheia-se o álbum dos postais, das fotos que começam a perder a cor... guardam-se na memória as cores, os cheiros, os sons...

Chorei a partida por morte violenta dos meus Tios, que permaneceram em Angola, mas não deixei de amar os da minha Terra.
O Povo não tem culpa dos desvarios de uns poucos…

A construção de um sítio sobre Angola, na Internet, trouxe até mim novas e velhas amizades. Algumas concederam-me o privilégio de colaborar naquele trabalho, muitos incentivavam-me a que prosseguisse... Nas lutas que travava...

Uma delas – sabia de antemão – não seria ganha e teria um dia o seu fim: a Mãe Lola partiu...
Tenho a certeza de que me ofereceu a oportunidade de, se possível fosse, rever a minha Terra Natal.

E aconteceu a oferta de trabalho em Luanda – mais um desafio.
Em tom jocoso, costumo afirmar que, entrar num avião é para mim o mesmo que apanhar um autocarro...
Apanhei o “autocarro” TAAG DT 651 e dirigi-me à capital angolana...



Interrogava-me sobre o que seria regressar a casa ao fim de tão longa ausência. O nervosismo dos preparativos foi dando lugar a um sentimento de calma, da consciência da decisão tomada, embora conhecedora de que continha também uma dose de aventura...

“Seriam os relatos que, ao longo das décadas, me foram sendo feitos, suficientes para preparar o meu espírito, os olhos para a visão das mudanças?... dos hábitos, da degradação das cidades, consequência da guerra de tantas décadas, do despreparo de duas gerações com referências mínimas, de valores enviesados... da corrupção óbvia e por todos comentada?”

Com maior ou menor grau de conhecimento da realidade de hoje, sabe-se que Luanda sofreu, durante os anos de guerra, um enorme inchaço, que a desfigurou.
O restante do país também sofreu – muito!


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