Fotografia gentilmente cedida por Eduardo Pompeu Tendinha da Silva, o Dadica.
Baía dos Tigres, Província do Namibe, 2000.
Texto revisto em 18 de Outubro de 2003.


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Deserto do Namibe, Namib Desert, Désert du Namib


que provém de "Namib", palavra do dialecto Khoikhoi

(Hotentote - Povo Não Negro e Não Banto)

que significa
"deserto" ou "lugar sem gente" (1)






Não se pode falar da cidade do Namibe, a antiga Mossâmedes ou Moçâmedes, e deixar de lado o deserto que lhe deu o nome porquanto são um todo.

Quando ali morei não fui sua assídua frequentadora. Depois, deixei Moçâmedes quando tinha apenas 13 anos. Mas o meu Pai ensinou-me a gostar, a compreender, a respeitar o deserto. Ele, sim, tratava-o por tu.

De tal maneira o conhecia que, quando o conceituado botânico Dr. Luís Carrisso, em colaboração com o Museu Britânico de História Natural, efectuou a expedição botânica a Angola, o meu Pai, então com 22 anos, foi convidado para ser o seu guia no Deserto do Namibe.

Infelizmente para testemunhar a sua morte, que aconteceu subitamente, no acampamento, em pleno deserto, no dia 13 de Julho de 1937.

Recordo-me de o meu Pai nos contar como viveu essa dramática experiência, porquanto foi ele que, pegando num carro, literalmente voou para Moçâmedes a fim de avisar as autoridades e trazer um médico ao acampamento, porém tarde demais!
(2)

A primeira recordação que tenho de um passeio até lá, leva-me de volta aos meus 5 anos.

Como sempre, a decisão de nos convidar a visitar o deserto era feita sem preparativos. O meu Pai chegava a casa e dizia: "Venham daí, que vamos passear." E lá íamos!

Nomes dos locais? Alguns ignoro; outros recordarei em páginas separadas, como será o caso do Arco do Carvalhão.

Assim, essa primeira excursão ao deserto do Namibe foi a um local, próximo da cidade (Furnas?), por onde o mar já tinha passado. Ali não havia dunas, mas sim uma espécie de grutas e todo aquele local estava repleto de conchas, de todo o formato e tamanho! Para uma criança, nada mais excitante!

Conhecedor do deserto, sabia das suas transformações repentinas. Depois de uma chuvada, ele convidava a Mãe Lola para ir até lá: o deserto, cuja tonalidade na véspera era quase uma só, tinha-se transformado num manto de coloridas florzinhas que aguardavam somente a dádiva da chuva para desabrocharem com toda a intensidade, num festival de cores!

A minha ligação com este deserto é tal que, há uns tempos atrás, aconteceu ligar a televisão e vi que se tratava de um programa do "Discovery Channel". Não vi a reportagem desde o princípio e, portanto, desconhecia o seu título. Porém, quando olhei para o pequeno éran, disse para comigo: "É o Deserto do Namibe!" Não errei...

Algumas das informações foram recolhidas em sites da Namíbia. É um pormenor que não me preocupa porque sabemos que o deserto é um só e as suas características, a sua fauna e flora, as suas riquezas não páram na fronteira entre os dois países.

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