A Cidade Mãe
e a sua Província


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Aprendendo a Catumbela

Séc. XVII


A Vila da Catumbela tem 1836 como o ano oficial da sua fundação, decretada pela rainha portuguesa D. Maria II. Nessa altura, e como era hábito nas antigas colónias portuguesas, foi-lhe atribuído o nome de “Asseiceira”, que jamais foi adoptado. A vila manteve sempre o nome que tomou emprestado do rio, seu vizinho.

A localização inicial de Asseiceira, melhor, da Catumbela, foi na margem esquerda do Rio Catumbela, distante alguns quilómetros do local actual da vila, mais precisamente nas colinas que se situam entre a antiga Fazenda S. Pedro e a Lagoa do Negrão. Foi aí que se construiu a primeira residência do primeiro chefe do novo concelho.

Muitos antes da fundação de Asseiceira, na margem direita do rio, já ali estavam fixados os povos angolanos da região.

Ralph Delgado, na sua obra “O Reino de Benguela”, refere-se assim a esta localidade:


«c) TENTATIVA DE MUDANÇA PARA A CATUMBELA

Informado do horrível clima de que Benguela era dotada, Salvador Correia pretendeu suavizar a cruzada dos seus moradores, mudando a cidade para o sítio da Catumbela, alto e sàdio, com a visinhança favorável dum rio caudaloso e de fartas margens aráveis, onde o problema agrícola pode ter larga expansão, a bem dos interêsses gerais. (1)

Para alcançar êste objectivo fez a sugestão a D. João IV, que foi tratada em Conselho Ultramarino, em consulta de 8 de Máio de 1650, o qual concordou com ela, tendo proposto, ao rei, para o cargo de capitão-mor, incumbido dessa iniciativa, os nomes de Gregório Ribeiro, Vicente Pegado da Ponte e António Teixeira de Mendonça.

Foi escolhido Gregório Ribeiro, por falar a língua da terra; mas tendo-o a morte surpreendido depois da nomeação, que se deu em 26 de Máio de 1650, não chegou a ocupar o lugar e a cidade não foi transferida, ainda que a sua mudança fôsse emprêsa fácil de conseguir.

Por esta forma, o destino evitava, pela terceira vez, que S. Filipe deixasse o lugar pantanoso, visinho do Coringe - o rio da sedução! - Sumbe-Ambuela e Quicombo, nos tempos de Cerveira Pereira e de Lopo Soares Lasso (…)


(1) Revista Diogo Cão: Nº 10 de 1932, pág. 303.»



Vemos, portanto, que já em 1650 eram reconhecidas àquela região as características de salubridade que faltavam a Benguela…



A continuar.



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